quinta-feira, 4 de outubro de 2007

DEZOITO ANOS

Aos dezoito anos, via-me no desfecho de um concerto,
a face deformada e o futuro consumado.
A rotina era o meu presente,
Ela me buscava em meus pensamentos, trazia-me ao mundo monótono
Afastando meu corpo de minhas ações.

Quando rompi com tal fardo, procurei quebrar minhas certezas.
Reconstitui meu rosto e apaguei o futuro vivido

Agora levo o barco sozinho, por vezes, carrego um ou outro tripulante, deixando-o sempre em terras firmes.
Tais viajantes oferendam-me presentes, os quais aceito de bom grado.
São bebidas variadas e maços de cigarro.
Apenas isto me sustenta enquanto sigo cambaleante nas ondas desse mar.

Meu rumo é certo, minha fé inconstante.
Não que eu seja totalmente cético, mas os olhares que me penetram não inspiram confiança.
E o abraço vazio do teu corpo imprime vontade ao meu remar infindável
Ao menos se minha memória fosse palpável
Conseguiria identificar o cheiro espalhado pela brisa
Quiça este seja o perfume das tuas flores
É para lá que eu vou!

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