DERRADEIRO DESEJO
Não entendes? Aqui, quem oferece as cartas sou eu
Não desfrutarás mais da cadência perfeita das minhas atitudes
Teu intelecto inferior enoja-me
Teu olhar cínico me conduz ao inferno das lembranças dos teus beijos
Aliás, tu não beijas, engoles
Em goles eu tomo este vinho
Para dissipar a viscosidade dos teus espinhos
Entretanto, não ousarei rememorar-te nesta situação.
A mais sublime embriaguez despreza tua fotografia
Indigna-se com teu retrato pálido
Teu esqueleto esquálido aconchega tua anatomia disforme
Ele nutre minha raiva enorme.
Estou torpe, imbuído de ganância
Minha garganta cessa com um pigarro
Na frente do teu túmulo, transformá-lo-ei em escarro
A saudade alheia tratarei com sarcasmo.
E, se por acaso, teu corpo cremarem
Triste ficarei por vivo não o queimarem
Mas ainda terei uma alegria
Roubarei tuas cinzas e, com veneno, prepararei um cigarro
Trancafiar-me-ei em um quarto abafado
Para enfim estar do teu lado.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
FUNERAL
Meu amorzinho estava tão bonitinho
O corpo teso, o rosto branquinho
Os pés juntos e os braços ao tronco colados
De joelhos ao seu lado, cantei um chorinho
Só para mim tu sorriste.
Ah, amorzinho, se em espíritos acreditasse consolar-me-ia
Assim verias o quão lindinha deitada tu estavas
Amorzinho, por que estás tão quietinha?
Teu perfume me inebria, tu sabias?
Amorzinho, será que quando eu crescer serei um homem alado
Para, na companhia de um anjinho, encontrar-te?
Apenas o mindinho entrelaçaremos
E, como em lua de mel, caminharemos contentes pelo imenso jardim.
Meu amorzinho estava tão bonitinho
O corpo teso, o rosto branquinho
Os pés juntos e os braços ao tronco colados
De joelhos ao seu lado, cantei um chorinho
Só para mim tu sorriste.
Ah, amorzinho, se em espíritos acreditasse consolar-me-ia
Assim verias o quão lindinha deitada tu estavas
Amorzinho, por que estás tão quietinha?
Teu perfume me inebria, tu sabias?
Amorzinho, será que quando eu crescer serei um homem alado
Para, na companhia de um anjinho, encontrar-te?
Apenas o mindinho entrelaçaremos
E, como em lua de mel, caminharemos contentes pelo imenso jardim.
domingo, 23 de setembro de 2007
ÉBRIO PARTIDO
... quando tudo parece feliz, um sentimento de tristeza bate no meio da noite. Não se sabe ao certo o porquê, mas depois de leituras anônimas seus valores caem por terra e sua face não sabe mais esconder o que, em diferentes épocas de sua vida e de diversas formas, ele tentou esconder. Aquilo em que não há uma evolução. Há, porém, uma variedade de máscaras. E descartar uma ou outra tanto faz, o importante é seu receio em saber que sempre escondeu isso de todos. Seus atos, seu corpo e, por fim, sua figura não passa de um desenho rabiscado em um papel, por um ascendente rapaz distribuidor de talentos na arte de captar. Entretanto, no fundo, configuram-se somente cinco linhas e um círculo marcados pelo carvão na parede branca de uma sala suja. Verdadeiramente, o que lhe corrói é a inveja de não encontrar palavras para delinear um simples texto. Ele procura, vê sentimentos tomando formas representativas como alto-falantes, expressando tudo condicionado pelo seu redor. Pois este sujeito não ama. Ele finge sentir, mas na verdade acha todos uns idiotas. Sua inerente supremacia descarta a possibilidade constante de reconhecimento de outras formas de vida...
... quando tudo parece feliz, um sentimento de tristeza bate no meio da noite. Não se sabe ao certo o porquê, mas depois de leituras anônimas seus valores caem por terra e sua face não sabe mais esconder o que, em diferentes épocas de sua vida e de diversas formas, ele tentou esconder. Aquilo em que não há uma evolução. Há, porém, uma variedade de máscaras. E descartar uma ou outra tanto faz, o importante é seu receio em saber que sempre escondeu isso de todos. Seus atos, seu corpo e, por fim, sua figura não passa de um desenho rabiscado em um papel, por um ascendente rapaz distribuidor de talentos na arte de captar. Entretanto, no fundo, configuram-se somente cinco linhas e um círculo marcados pelo carvão na parede branca de uma sala suja. Verdadeiramente, o que lhe corrói é a inveja de não encontrar palavras para delinear um simples texto. Ele procura, vê sentimentos tomando formas representativas como alto-falantes, expressando tudo condicionado pelo seu redor. Pois este sujeito não ama. Ele finge sentir, mas na verdade acha todos uns idiotas. Sua inerente supremacia descarta a possibilidade constante de reconhecimento de outras formas de vida...
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DOUGLAS ADAMS APLICADO Á HISTÓRIA
Há uma teoria que afirma que se alguém, algum dia, descobrir a utilidade da História e por que ela existe, ela irá, instantaneamente, acabar e será substituída por algo muito mais bizarro e inexplicável. Há uma outra teoria que afirma que isso já aconteceu.
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
O AMOR DE MEMÓRIA
Entrego-te este buquê de palavras sortidas
A fim de cicatrizar tuas feridas
Enquanto tu olhas as mais diversas paisagens pela janelinha
Eu confronto as paredes de sempre. Mas a mesmice não me deixa entediado,
Porque, em meus delírios, eu as pinto com o nosso amor, com teus sorrisos, com teus cabelos lisos.
Reviro-me nos lençóis aos lapsos de sonhos pacatos
Bate-me a tristeza ao desconhecer todos os teus atos
Não para arranjar argumentos em nossas futuras discussões da minha fantasia
É apenas para ver-te livre, triste, atarefada, movida pela tua felicidade fugidia.
O amor convencional pode até se alimentar de contato e convivência
Porém o nosso amor vive de memórias, lembranças seladas,
Aquelas que, em meio a multidões, despertam a risada
Aquelas que deixam o olhar terno cheio de lágrimas
São recordações silenciosas do inconsciente
Elas incendeiam o meu presente, bem como o meu peito ao te achar ausente.
Ao olhar minha imaginação, contemplo a dança de nossos corpos insanos
Ao olhar para o desenho da lua, admiro o retrato que nunca tiramos,
A inexistência de planos é a existência da certeza do reencontro.
Pois somente o rubor que nasce em mim quando a vejo,
Aquece-me nesses tempos frios
Na realidade, ele impede que o vento gelado leve
A relíquia dos teus carinhos de minha pele
Ele garante a permanência da saudade em meus pensamentos
Quando tu me deixas ao sabor cálido dos teus beijos.
Entrego-te este buquê de palavras sortidas
A fim de cicatrizar tuas feridas
Enquanto tu olhas as mais diversas paisagens pela janelinha
Eu confronto as paredes de sempre. Mas a mesmice não me deixa entediado,
Porque, em meus delírios, eu as pinto com o nosso amor, com teus sorrisos, com teus cabelos lisos.
Reviro-me nos lençóis aos lapsos de sonhos pacatos
Bate-me a tristeza ao desconhecer todos os teus atos
Não para arranjar argumentos em nossas futuras discussões da minha fantasia
É apenas para ver-te livre, triste, atarefada, movida pela tua felicidade fugidia.
O amor convencional pode até se alimentar de contato e convivência
Porém o nosso amor vive de memórias, lembranças seladas,
Aquelas que, em meio a multidões, despertam a risada
Aquelas que deixam o olhar terno cheio de lágrimas
São recordações silenciosas do inconsciente
Elas incendeiam o meu presente, bem como o meu peito ao te achar ausente.
Ao olhar minha imaginação, contemplo a dança de nossos corpos insanos
Ao olhar para o desenho da lua, admiro o retrato que nunca tiramos,
A inexistência de planos é a existência da certeza do reencontro.
Pois somente o rubor que nasce em mim quando a vejo,
Aquece-me nesses tempos frios
Na realidade, ele impede que o vento gelado leve
A relíquia dos teus carinhos de minha pele
Ele garante a permanência da saudade em meus pensamentos
Quando tu me deixas ao sabor cálido dos teus beijos.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
A MORTE E A TRAIDORA
Você arruinou meus sentimentos.
E agora, como pétalas caindo de uma rosa, meu sangue é derramado.
Mas essa rosa é branca, pois a hemoglobina que trespassa meu corpo é fraca.
E meu coração não mais distribui o pouco de paixão restante em meu peito,
Desde o momento em que vi suas mãos entrelaçadas.
THE DEATH AND THE TRAITOR
You killed my senses and now like petals falling from a rose my blood is spilled.
But this rose is white because the hemoglobin that runs through my veins is weak
And my heart stopped distributing the bit of passion leftover in my chest
Since the moment I saw your hands engaged.
Você arruinou meus sentimentos.
E agora, como pétalas caindo de uma rosa, meu sangue é derramado.
Mas essa rosa é branca, pois a hemoglobina que trespassa meu corpo é fraca.
E meu coração não mais distribui o pouco de paixão restante em meu peito,
Desde o momento em que vi suas mãos entrelaçadas.
THE DEATH AND THE TRAITOR
You killed my senses and now like petals falling from a rose my blood is spilled.
But this rose is white because the hemoglobin that runs through my veins is weak
And my heart stopped distributing the bit of passion leftover in my chest
Since the moment I saw your hands engaged.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
RESSACA
Esconder-se, não falar do mundo nem dos feitos passados.
Tudo que a noite proporcionou agora deve ser enterrado.
A luz que bate à sua face apenas o envergonha.
Implora-te o rendimento e abre a brecha para tomar um outro rumo,
Mesmo sabendo que, de novo, estarás lá
Proferirás palavras com o mesmo sentido e irás,
Na derradeira noite de sua vida, escrever esse mesmo poema,
Renegando os valores defendidos ao longo desta guerra.
E isto pela impossibilidade de vê-los, tanto no passado quanto no futuro, concretizados.
Esconder-se, não falar do mundo nem dos feitos passados.
Tudo que a noite proporcionou agora deve ser enterrado.
A luz que bate à sua face apenas o envergonha.
Implora-te o rendimento e abre a brecha para tomar um outro rumo,
Mesmo sabendo que, de novo, estarás lá
Proferirás palavras com o mesmo sentido e irás,
Na derradeira noite de sua vida, escrever esse mesmo poema,
Renegando os valores defendidos ao longo desta guerra.
E isto pela impossibilidade de vê-los, tanto no passado quanto no futuro, concretizados.
domingo, 16 de setembro de 2007
À ESQUERDA
Desde pequeno eu já sabia o grande fracasso que eu seria.
Um medíocre pensador com idéias grandiosas
O defeito da mulher formosa
A decadência dos nobres
Um poeminha com rimas pobres.
Onde o verbo não consegue rimar com o substantivo e o pronome está sempre mal colocado.
Sou um samba sem sucesso
Um sinal do retrocesso
O descontínuo do processo
Aquela saída sem acesso
Um gauche. Um plágio. Um anjo meio torto, frágil.
Um golpista. Um copista. Um canhoto nato.
Nada especial. Espere só o ordinário de mim.
Não me faça embriagar com o deslumbre de suas expectativas, dá-me logo esta bebida para que eu me afogue em suas entranhas.
Desde pequeno eu já sabia o grande fracasso que eu seria.
Um medíocre pensador com idéias grandiosas
O defeito da mulher formosa
A decadência dos nobres
Um poeminha com rimas pobres.
Onde o verbo não consegue rimar com o substantivo e o pronome está sempre mal colocado.
Sou um samba sem sucesso
Um sinal do retrocesso
O descontínuo do processo
Aquela saída sem acesso
Um gauche. Um plágio. Um anjo meio torto, frágil.
Um golpista. Um copista. Um canhoto nato.
Nada especial. Espere só o ordinário de mim.
Não me faça embriagar com o deslumbre de suas expectativas, dá-me logo esta bebida para que eu me afogue em suas entranhas.
sábado, 15 de setembro de 2007
GOSTO DE BAUNILHA
Seus lábios de baunilha parecem tão doces para mim
Eu gosto de lamber ao redor dos seus seios
E imaginar o leite de nossas crianças com o mesmo sabor da tua boca
E nesse velho vai e vem, sinto o afã do seu prazer, o odor da sua alegria e o arrependimento de suas lágrimas.
VANILLA TASTE
Your vanilla lips seem so sweet to me
I like to lick around your tits
And fantasize the milk of our kids with the same taste of your mouth
And in this old in-and-out, I feel the willingness of your pleasure, the odour of your joy and the regret of your cry.
Seus lábios de baunilha parecem tão doces para mim
Eu gosto de lamber ao redor dos seus seios
E imaginar o leite de nossas crianças com o mesmo sabor da tua boca
E nesse velho vai e vem, sinto o afã do seu prazer, o odor da sua alegria e o arrependimento de suas lágrimas.
VANILLA TASTE
Your vanilla lips seem so sweet to me
I like to lick around your tits
And fantasize the milk of our kids with the same taste of your mouth
And in this old in-and-out, I feel the willingness of your pleasure, the odour of your joy and the regret of your cry.
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