quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

ANTEVÉSPERA

Eu sou aquele que está preenchido de expectativas. Tão cheio que, às vezes, recuso viver o presente fico imaginando o futuro e as façanhas que ele pode ou não proporcionar. Porém, na maioria das vezes, só desejo dormir por horas ininterruptas. Um sono tranqüilo, sem sonhos nem nada que faça lembrar, mesmo inconscientemente, o devir. Um sono em que eu adormeça e desperte na mesma posição. Como isso não é possível, eu sigo a vida. Leio um livro, ouço música, jogo futebol, passo um tempo com alguém especial e durmo bastante. Enfim, tento apagar o borrão o qual minhas expectativas deixam na memória. E o futuro eu já lembro como se fosse o passado. No presente, eu caminho e busco atingir, ao menos momentaneamente, esse estado mental. É só o que me resta, pois dessa vez tudo vai sair nos conformes. Assim espero.

sábado, 8 de dezembro de 2007

BEBER SEM SEDE E FAZER AMOR TODA HORA

“Boire sans soif et faire l’amour em tout temps, il n’y a que ça qui nous distingue dês autres bêtes.” Ela lia o conto suavemente para mim, quando chegou nessas palavras. Agora ele escreve em francês, ela disse e estendeu o livro para eu traduzir. Li e respondi o que significava. Beber sem sede e fazer amor a todo momento... ela pegou o livro da minha mão e continuou. É o que nos diferencia dos outros animais. Só mais tarde ela me disse que o autor traduzia a frase mais abaixo. Não sei por que me pediu para traduzir então. Talvez quisesse me testar, fazer-me sair dessa fina camada de insensibilidade que cobre a minha pele e evita minha confusão de sentimentos. Não sei, não me interessa também. O importante é que, de certa forma, aquilo resumia o nosso fim de semana. De todos os pecados cometidos durante as preciosas horas que passamos juntos, esse momento permanece mais forte em mim.