Começo com poesias. A primeira se explica por si só; a segunda não é uma declaração de amor, e sim a manifestação de um súbito desejo.
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Como posso nomear a poesia, se ela prescinde de primazia?
Se em seu âmago as regras são desengonçadas?
Mesmo quando a rima, a métrica e os versos são bem feitos, sabe-se que para ela não há teorema perfeito.
Como posso nomear a poesia se o presente dela é nostálgico?
Se apenas autores inexistentes navegam pelo seu deserto?
Sua metafísica é saudosista como todas as outras.
Como posso contrariar Vinícius e dizer que o objeto dela não é a vida?
Se a vida é infinita em compartimentos e o poeta constrói cada um deles?
Como posso nomear a poesia se a antítese do presente portátil de alegrias passageiras não suporta mais a fina ironia de palavras ligeiras?
Para que nomear a poesia? Deixe que um dia eles a nomeiem, se ela ressuscitar.
O poeta contra o profeta
Manifesta a festa do asceta
Ele protesta contra a meta
Pois seu espírito livre o inquieta.
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AMOR E NA MORADA
Clareie o meu calvário
E, à noite, invade o meu aquário
Clone o teu sabor
Para que eu possa aliviar o teu ardor
Pois do teu mel um outro alguém já se lambuza. Sei que te deixo confusa.
Mas quando nossos lábios se encontrarem novamente, verás que em tua imaginação sempre fui presente, confirmarás que não me amava,
Porém não te arrependerás de sentir o que sentes quando lês essas palavras.
Cada clave do teu canto
Acalma o meu pranto
Teus longos cabelos pretos
Anunciam a longa madrugada que teremos
Beijarei teus anjos, os lençóis ficarão rasgados.
Deixar-te-ei um sinal, mas ele não habitará teu corpo já marcado.
Habitará os teus pensamentos ao lado das lembranças dos nossos movimentos.
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2 comentários:
Bahhh o Caio se puxando...
curti mtooooo
grande caiito, descobriu na poesia a arte de ganhar minas. safado
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